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Notícias

23/08/2011

ENTREVISTA: Gerente da Opas defende a criação de um sistema único de registro dos profissionais de saúde no Brasil


Seta

Informação

ANO
2011

Confira a entrevista na íntegra.

 

Repórter: Qual o panorama dos Recursos Humanos em Saúde no Brasil?

 

Felix Rigoli: A conclusão básica, para começar pelo final, é que o Brasil tem hoje menos médicos e enfermeiros do que precisa, mas isso não é homogêneo em todo o País; temos problemas de distribuição muito importantes. Por isso, é necessário formar mais, capacitar mais e oferecer residências e especializações em estados e regiões que tenham baixa fixação de profissionais, porque a residência é o principal mecanismo de fixação. Também precisamos desenvolver carreiras ou sistemas de gestão do trabalho que favoreçam radicar ou fixar profissionais em regiões que hoje têm muito pouco serviço de saúde para assegurar o acesso com qualidade a toda a população, que hoje está com dificuldades.

 

R.: De que forma essas dificuldades impactam a prestação do serviço para a população brasileira?

 

F. R.: Hoje, as dificuldades são conhecidas. Há municípios com dificuldade para conseguir médicos ou enfermeiros, há listas de espera em alguns lugares para determinados especialistas, muitos dos planos de expansão, por exemplo, de unidades de pronto atendimento vão inevitavelmente levar recursos humanos atualmente usados no Programa Saúde da Família ou nos hospitais para trabalhar nas unidades de pronto atendimento e, portanto, ou um ou outro vai ficar sem profissionais de saúde. Ou seja, hoje (essas dificuldades) impactam o acesso oportuno de qualidade para um percentual variado, dependendo do estado ou da região, mas que são brasileiros que têm direito a isso. Então, não há forma de fugir do fato de que se deveria dar uma resposta para isso e hoje não é possível dar, a não ser que façamos uma melhora da formação, uma melhora da formação na pós-graduação, uma realocação dos programas de formação e de um sistema de carreiras ou títulos para a fixação de profissionais em lugares diferentes daqueles que o mercado leva a trabalhar.

 

R.: Esses são problemas comuns ao resto do mundo ou específicos do Brasil?

 

F. R.: Todos os países têm o problema da iniquidade de distribuição de profissionais. Isso acontece no Canadá, na China, nos países grandes da Europa, na Argentina, no Chile, mas o que é próprio do Brasil é que ele combina iniquidade na distribuição com uma escassez (de profissionais). Ou seja, mesmo que bem distribuídos teríamos falta de profissionais aqui. Então, devemos fazer, ao mesmo tempo, dois esforços: melhorar a formação, mudar a formação para que seja voltada para especialidades e tipos de cuidado de que a população precisa e, ao mesmo tempo, melhorar a distribuição.

 

R.: Essas melhoras na formação atingiriam o currículo das carreiras na saúde?

 

F. R.: Sem dúvida. Uma mudança no currículo, uma mudança nos cenários de prática onde as pessoas aprendem e a transformação do SUS (Sistema Único de Saúde) em uma escola para que as pessoas se formem sabendo, funcionando e pensando como é a filosofia do SUS, que é um sistema universal e gratuito. Enquanto hoje a formação muitas vezes tende a criar profissionais voltados para um sistema privado e pago.

 

R.: Que avanços o Brasil conquistou nos últimos anos nessa área e o que ainda precisa ser feito?

 

F. R.: O principal avanço foi documentado recentemente em um artigo publicado em uma revista internacional sobre a política de Recursos Humanos em Saúde no Brasil. O principal avanço é ter uma política durante 30, 40 anos de readequar ou recanalizar os recursos humanos para a atenção primária à saúde. Ou seja, essa é uma política sustentável que o Brasil tem desenvolvido durante um tempo muito prolongado, com programas como o Profae (Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem) e o Pró-Saúde (Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde), que treinaram e mudaram a formação de centenas de milhares de profissionais de saúde. Ainda falta muito a ser feito, porque o Brasil tem quatro milhões de trabalhadores de saúde. Então, esse esforço, através de metodologias on-line, através da Universidade Aberta, através dos sistemas de telessaúde, deveria chegar já não a 300 mil, mas a quatro milhões de pessoas - e esse é um esforço que ainda precisa continuar a ser desenvolvido.

 

R.: Qual o papel dos Observatórios nesse trabalho? De que forma podem contribuir com essa tarefa?

 

F. R.: Identificando primeiro quais são os lapsos, as brechas, em que tipo de profissões, em que regiões geográficas. Segundo, identificando as melhores práticas, avaliando experiências e descobrindo quais são os fatores de sucesso e de fracasso de experiências que poderiam conduzir a melhores resultados. Terceiro, tentando difundir as boas experiências e, pelo menos, evitar as que foram fracassadas, que não tiveram sucesso.

 

R.: O senhor poderia citar alguma experiência internacional na área de Recursos Humanos em que o Brasil poderia se espelhar?

 

F. R.: Penso que a experiência que o Brasil deveria estar copiando, porque tem condições para fazê-lo, é ter um melhor sistema de informação dos recursos humanos do País. Assim como tem o Sistema Único de Saúde, deveria ter um sistema único de registro dos profissionais de saúde, de atualização dos profissionais de saúde. Isso existe em muitos países e permite um planejamento muito mais adequado em tempo e em regiões geográficas, permitindo saber quantos profissionais existem em diferentes especialidades, onde trabalham e qual é a demanda por esses profissionais segundo a quantidade de consultas, os perfis etários da população etc. Ou seja, o Brasil tem muitas boas experiências, mas tem poucos temas unificados de registro e de informação para saber essas coisas.

 

Felix Rigoli é gerente da Área de Sistemas e Serviços de Saúde da Opas/OMS (Representação do Brasil)










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